• 25-04-2004
    Desde há muito tempo que é notória e discutida a crise do ténis feminino em Portugal e pode dizer-se que, com o passar do tempo, essa crise deixou de ser conjuntural e passou a estrutural. Parece que não temos meios, nem capacidade para sair dela. Terminada a carreira da nossa mais recente e proeminente jogadora – Sofia Prazeres – parece que a crise, se tal era possível imaginar-se, se agudizou.

    A crise radica num factor mais global que é a pouca disponibilidade que os portugueses dedicam à prática desportiva e dentro desta a insipiente representatividade da população feminina no desporto.
    O Ténis não é excepção e de facto temos uma população feminina muito reduzida a jogar ou a aprender ténis. Nas escolas de ténis as alunas são uma dramática minoria e todos os treinadores têm experiências de pais que inscrevem o filho no ténis e a filha é “desviada” para modalidades tidas por mais femininas, ou porque não tem jeito, ou porque não gosta (mesmo sem ter experimentado), enfim os mais variados argumentos que retiram à potencial jogadora a possibilidade do primeiro contacto com a modalidade. Quantas campeãs, provávelmente, já se perderam devido a esta desigual e injusta prática.
    Faltando numero na base é claro que a vertente competitiva sai claramente prejudicada. São poucas as atletas a dedicarem-se à competição e quando o fazem a maior parte delas apresenta um deficit atlético importante porque ao contrário do que seria de esperar tão pouco fizeram outros desportos em que pudessem desenvolver as suas capacidades físicas.
    O panorama competitivo feminino na Associação de Ténis de Lisboa (a Associação Regional onde existem mais clubes e mais atletas federados) no ano de 2003 foi ainda mais negativo do que em anos anteriores: um grande número de torneios oficiais femininos não se realizou, devido a não se alcançar, em cada torneio o número mínimo legal de inscrições, que é de 8 atletas. Pelo mesmo motivo, nem o Campeonato Regional Juniores femininos escapou a esta fatalidade. Sintomático desta grave crise foi o facto do Campeonato Regional de inter-clubes Juniores femininos não se ter realizado devido à inscrição de apenas 2 equipas, quando o mínimo era 3.
    Temos de concordar que só com uma vontade quase sobrehumana é que as nossas jogadoras não abandonam a modalidade, dado que se inscrevem em torneio após torneio não conseguindo competir porque eles não se realizam, por não ter havido mais sete atletas que o viabilizassem. Nos campeonatos por equipas é quase incompreensível como é que na Associação Regional de Lisboa – que tem aproximadamente 100 clubes – não houve em 2003 mais de 2 clubes inscritos. Será falta de motivação dos treinadores e dos atletas, falta de interesse dos clubes?
    Cabe ao Estado, à Federação Portuguesa de Ténis e a todos os nós -envolvidos no fenómeno desportivo – incentivar a prática desportiva em geral (masculina e feminina) e a prática do ténis em particular, mas parece-me que só isso não chega. Temos de ter regras de ataque à crise instalada no ténis feminino, que estimulem este sector da modalidade, senão corremos o risco de privar uma parte importante de população – a feminina – de praticar ténis, desenvolvendo a nossa modalidade de forma parcial e não harmoniosa.
    Avanço duas medidas, que mesmo que fossem transitórias, poderiam estimular o ténis feminino em Portugal. Uma, aliás, foi já experimentada em 1995 com sucesso.
    1ª medida: Campeonatos de equipas mistas: em 95 esta medida foi apenas implementada para o grupo juvenil e houve Associações que não aderiram com o argumento de que se estava a desvirtuar quer o ténis masculino quer o feminino, mas o que é facto é que houve clubes, que não tendo tradição no ténis feminino, tendo portanto poucas jogadoras a competir, e não querendo privar as suas equipas masculinas de participar na competição, fizeram um esforço considerável na angariação de jogadoras, o que levou a que essas atletas se mantivessem na modalidade ao longo da época, mesmo depois de terminado o campeonato de equipas e durante anos.
    Pensou-se na altura, e bem, que a maior parte dos clubes que participavam nos campeonatos de equipas masculinos, não iriam correr o risco de deixar de participar pela falta de duas ou três meninas.
    Por outro, foi positivo quer para os jogadores quer para as jogadoras que se incentivavam reciprocamente tendo havido nesse ano um espírito de equipa e entre ajuda notáveis que levou a uma maior motivação por parte das atletas e com a responsabilidade de treinar mais e melhor para não comprometerem as aspirações das equipas onde estavam inseridas, havendo meninas que treinando 1 ou 2 vezes por semana passaram a treinar todos os dias.
    2ª medida: nos torneios oficiais individuais baixar-se o número mínimo de 8 para 4 atletas: a grande razão por que um tão grande número de torneios femininos em 2003 não se realizou foi porque não havia o nº mínimo legal de inscrições. Para se realizar um torneio oficial, masculino ou feminino, existe um nº mínimo de inscritos que é de 8 atletas. Não se atingindo este numero o torneio não se realiza. De facto havendo muito menos jogadoras do que jogadores a competir não tem muito sentido exigir-se o mesmo nº mínimo de inscrições para viabilizar os respectivos torneios. Devia pois adaptar-se esta exigência legal à realidade do nosso ténis feminino, de modo a viabilizar todos os torneios do calendário. No caso de quadros competitivos muito reduzidos, podia conceber-se a prova no sistema de “round robin”. Isto é, num quadro em que só houvesse 4 inscritas, jogavam todas contra todas, cada atleta fazendo pelo menos 3 jogos que de qualquer maneira é mais do que fazem na maioria dos torneios em que participam, ou “poules” de apuramento para um quadro final que aí sim já seria a eliminar.
    Enfim podem imaginar-se estas ou outras medidas que dinamizem o ténis feminino em Portugal e que permitam às nossas jogadoras desfrutarem duma parte importante da sua actividade que é a competição.

    Pedro Bivar – Maio de 2004


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